OS MILAGRES DA MINHA VIDA – Ele Sentiu A Minha Dor

No ano de 2007, eu estava trabalhando em uma empresa de telemarketing, e apesar de o trabalho ser extremamente estressante e não ser algo que queria para a minha vida, fiquei por um tempo trabalhando lá e fiz boas amizades. Era um ambiente legal, quem já trabalhou em empresas de Call Center, sabe que a área sempre envolve o trabalho em equipe e isso torna um ambiente divertido pela convivência com os colegas de trabalho. A equipe que eu participava tinha mais ou menos umas 30 pessoas e 15 delas, incluindo eu estava organizando um passeio à praia no feriado prolongado de 7 de Setembro. Juntamos um dinheiro e tudo correu bem, pois um dos nossos colegas já tinha uma casa na praia, o que tornou tudo mais fácil e rápido. Quando chegou à semana do feriado, todos estavam empolgados, eu principalmente, pois sempre viajava com a minha família, nunca tinha viajado com amigos.


Mas aquela semana foi bem turbulenta para mim, tudo que podia acontecer de ruim para atrapalhar meus planos para essa viagem aconteceu. Já começou pelo fato de meus pais, em especial minha mãe, não estarem de acordo, principalmente pelo fato de ser um passeio com pessoas desconhecidas para eles. Então foi uma luta a semana toda insistindo e brigando para que eles me deixassem ir. Depois no dia da viagem perdi meu vale refeição que eu tinha acabado de carregar e usaria nas compras lá na praia e pra ajudar, também tinha perdido uma parte do dinheiro que eu tinha juntado para a viagem.
Claro que com tudo isso, até minha própria chefe veio me pedir para não ir quando viu que eu mal conseguia trabalhar de tanto nervoso. Liguei pra minha mãe, e ela pediu novamente pra eu desistir, mas falei que tava tudo bem e que queria muito ir, ela cedeu.

E lá estávamos nós, 20 pessoas indo à praia no litoral sul de São Paulo, chegamos lá na sexta-feira à noite e tudo corria bem, o pessoal era bem divertido, apesar de grande parte da galera só ficar bebendo, eu por já não ter o hábito de beber me diverti da mesma forma.
No sábado finalmente curtimos o sol na praia com toda a galera. Mais tarde no entardecer, algumas meninas e eu voltamos para a casa, que ficava em uma rua não asfaltada e apesar de ser um pouco deserta, dava pra ver que era uma rua que estava começando a crescer, pois havia algumas casas em construção, a nossa era logo no começo e se destacava pelo seu tamanho e um grande quintal aberto na frente que se estendia por toda a lateral até o fundo da casa, onde já se encontrava a área da churrasqueira.

Por volta das 18 horas, todos já estavam de volta, rindo, conversando, jogando e alguns apenas sentados apreciando tudo. Nós as meninas estávamos na cozinha, maior cômodo da casa, preparando algo para comer, eu estava ouvindo música em meu aparelhinho de mp3 ao mesmo tempo em que ajudava a preparar a mesa. Muito distraída com o som alto do fone em meus ouvidos, não entendi quando olhei pro lado e vi uma colega se jogar ao chão, a princípio imaginei que ela estivesse procurando por algo, mas esse pensamento logo saiu quando olhei para o outro lado da cozinha e me deparei com o cano de uma arma sobre os meus olhos, quase que encostado na minha testa, a minha reação imediata foi paralisar, foi quando percebi que havia um homem de boné com os olhos bem arregalados em minha frente apontando uma arma bem no meu rosto. Ele apenas gritou “DEITA AÍ! DEITA AÍ NO CHÃO AGORA!” imediatamente me joguei ao chão e ele bem violento, arrancou de mim o aparelho de MP3.

Quando olhei ao meu redor deitada sobre o chão de barriga para baixo, vi todos os meus colegas também deitados no chão, assustados e totalmente entregues ao medo. As meninas choravam, os meninos pediam calma e os sequestradores gritavam ordenando que calássemos as nossas bocas. Tentei me manter calma e consegui contar oito sequestradores que estavam ali nos rendendo e todos estavam armados. Eles começaram a vasculhar toda a casa, enquanto um deles pegou algumas cordas e amarrou nossas mãos para trás. Tentávamos olhar para eles, mas eles não deixavam, e queriam que continuássemos deitados com a cara no chão.
Depois que a casa estava toda virada, começaram a arrancar as roupas dos meninos, deixando-os apenas de cuecas e ao mesmo tempo batiam neles com socos e chutes. Um dos meninos começou a ter convulsões, todo mundo começou a ficar desesperado para ajudá-lo e graças a Deus um dos sequestradores atendendo nosso pedido, levantou ele para que pudesse respirar melhor. Quando olhei para aquele rapaz, que era meu colega de trabalho e o vi sentado em uma cadeira tendo uma convulsão, sem que ninguém pudesse ir lá socorrê-lo, imediatamente senti um aperto no peito e lágrimas escorreram pelo meu rosto, um colega que estava deitado do meu lado, me vendo naquele estado, sussurrou em meu ouvido que ficasse calma e começou a orar o Pai Nosso, repetidas vezes para mim.

Num certo momento, eu ouvi os sequestradores discutindo lá fora o que iriam fazer conosco, enquanto bebiam e comiam da nossa comida. Ouvi quando um deles falava assim: “Vamos jogá-los em algum rio ou lá no mar”depois de alguns minutos eles entraram, pegaram nossos cobertores, jogaram por cima de nós e em seguida jogaram um líquido sobre nós que a princípio parecia água, mas imaginei logo o pior. Neste momento eu já não acreditava que sairia dali com vida, já tinha certeza que morreria ali mesmo, e o pior, queimada viva.

Passou um filme na minha cabeça, meus pais, minha família, meus amigos, Deus… Foi aí que eu lembrei que eu tinha um Deus, pois eu se quer estava pensando Nele antes, quando tomei a decisão de estar ali naquele lugar, mesmo contra tudo e todos. Comecei a orar, chorava compulsoriamente e pedia repetidas vezes o perdão. Eu não tinha mais esperança que sairia dali viva, mas uma coisa ao menos eu queria, queria ir pro céu.

Quando você está à beira da morte e tem essa consciência, você sente um turbilhão de coisas, mas um desses sentimentos dói mais do que os outros, que é o sentimento de arrependimento e pode ser um arrependimento de várias coisas, arrependimento de não ter valorizado a vida como deveria, de não ter dado ouvidos a vários conselhos, de não ter pedido perdão a alguém, de não ter se despedido, de não ter abraçado, vários sentimentos assim. Era exatamente isso que eu sentia naquela hora, sentia um arrependimento muito grande e por muitas coisas, principalmente de não ter dado importância aos sinais que tive para não ir aquela viagem, de não ter escutado minha mãe e tudo isso além do medo que estava sentindo.

E ficamos todos ali, deitados no chão de barriga para baixo com as mãos amarradas para trás das 6 horas da noite até as 8 horas da manhã do outro dia. Foram 14 horas naquela posição, em desespero e agonia nas mãos daqueles homens.

Tive muitas dores e câimbras, devido ao longo período de tempo que ficamos ali deitados no chão de barriga para baixo, com as mãos amarradas para trás, além de sentir muita falta de ar por causa dos cobertores que estava por cima de nós. Conseguimos ficar um pouco mais calmos quando o meu colega que estava ao meu lado, decidiu lamber o chão para saber se o líquido jogado em cima de nós era álcool ou gasolina, e graças a Deus era apenas água.

Durante esse período todo, eles exigiram nossas senhas do banco, foram ao banco com nossos cartões e roubaram o dinheiro da conta de cada um, enquanto outros sequestradores ficavam nos vigiando com armas apontadas para nós e os meninos continuaram apanhando muito.

Até que finalmente na manhã seguinte, os sequestradores decidiram nos abandonar e saíram da casa nos deixando trancados. Permanecemos deitados por alguns minutos com o medo de que eles voltassem a qualquer momento, mas os meninos então decidiram se levantar, se desamarraram e depois nos soltaram. Demos uma volta pela casa, nos abraçamos para ver se todos estavam bem e notamos que eles tinham levado tudo, todos os nossos pertences, roupas, celulares, bebidas, comidas e inclusive os carros. Todos nós tivemos que sair pela janelinha do banheiro, já que a casa toda estava trancada, pulamos um por um e todos ajudando um ao outro e finalmente conseguimos sair, os rapazes estavam seminus e nós as meninas com a roupa do corpo apenas. Chegamos a uma delegacia e começamos a contar tudo que tinha acontecido, os policiais nos acompanhou de volta a casa e pegaram o depoimento de cada um. Depois alguns ligaram para seus pais para que viessem buscá-los e eu recebi a carona de um daqueles pais e fui deixada em uma estação no metrô em São Paulo.

E lá estava eu dentro de um trem indo para casa, sem nada, somente com a roupa do corpo, toda suja. Percebia que muitos ficavam me olhando, mas eu não dava importância, estava inerte em meus pensamentos, sentindo um alívio por tudo aquilo ter acabado e eu nem tinha avisado minha mãe do ocorrido, pois fiquei com medo de que ela passasse mal e preferi contar pessoalmente quando eu chegasse em casa.
Ao chegar à minha casa, minha mãe já me olhou assustada e falou: “Eu sabia! O que aconteceu filha?” eu a abracei e chorei. Sentamos-nos e então comecei a falar o que tinha acontecido em detalhes. Até que minha mãe me contou algo que me emociona até hoje quando me lembro. As palavras dela foram essas:

“Agora eu entendi, entendi tudo! Entendi o porquê Deus me acordou durante a noite e me pediu que deitasse no chão de barriga para baixo e clamasse por você durante toda a madrugada.”

Deus acordou minha mãe e pediu que ela se deitasse na mesma posição em que eu estava lá na casa no momento do sequestro e clamasse por mim durante toda a noite. Ela sabia que algo estava acontecendo, só não sabia o que exatamente, mas também sabia que tinha que permanecer naquela posição clamando a Deus por minha vida.

Ele cuidou de mim em cada segundo, aquilo não representava apenas minha mãe deitada no chão, era o Espírito Santo, era Deus que estava ali, deitado no chão junto comigo, sentindo a minha dor, o meu medo, sentindo tudo que eu sentia e zelando por mim, me dando uma força que eu nem sabia que tinha. Deus age de uma maneira peculiar que para muitos é loucura, mas pude ver o agir Dele desde o início da viagem até depois do sequestro.

Houve uma mudança interior em mim, houve uma entrega total, um arrependimento e o reconhecimento de que sou totalmente dependente Dele e de como as pessoas a minha volta são importantes.

Se Ele sente nossa dor?
Sim, Ele sente! Se você está triste, Ele também fica triste e não tem prazer na dor de ninguém.
Em João 11.33-35 diz: “Jesus, vendo Maria chorar, bem como os judeus que vieram com ela, indignou-se no espírito e compadeceu-se. E Jesus perguntou: “Onde o colocaram? E eles indicaram-lhe: Senhor, vem e vê! Jesus chorou.”

Não importa o tamanho da sua dor, da prova que estás passando, não importa qual seja o problema que te aflige. Você não está só. Não pense que estás sendo provado por um Deus que assiste seu sofrimento de braços cruzados. Você está sendo acompanhado por um Deus que se importa com você. Permite o seu amadurecimento, seu crescimento diante do sofrimento, tornando-a uma pessoa mais forte. Um Deus que vai onde você está, vê o seu sofrimento e coloca-se no teu lugar, sofre com você, chora com você. Ele te ama. Jesus sente a sua dor. Jesus morreu por você e ressuscitou para você. Ele vive.

Não deixe de ler também o meu primeiro testemunho da série Os Milagres da Minha Vida, é só clicar aqui!

“O artigo “MILAGRES DA MINHA
VIDA” faz parte do blog Senhora Bagunça DIY, onde serão escritos em
partes, os testemunhos da minha vida e que assim como me transformou e me
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10 thoughts on “OS MILAGRES DA MINHA VIDA – Ele Sentiu A Minha Dor

  1. Chorei.. por tanto amor que Deus tem por nós.. e em alguns dias deixamos esse amor passar despercebido.. vivendo um dia normal somente.. Deus é mesmo maravilhoso e nosso melhor amigo.. obrigada por compartilhar conosco.. bjs Elisa

    1. Que maravilhoso Elisa, saber que você também foi edificada. Deus é mesmo lindo e é totalmente amor. Eu que agradeço por você vim aqui transmitir o seu carinho conosco.
      Bjinhos
      Layde

    1. Oi Mhilka! Sim, nosso Deus é maravilhoso mesmo, cheio de amor por nós.
      Foi bem agoniante mesmo amiga, mas ainda bem que tudo já passou, uffa!
      Amei sua visita.
      Bjinhos
      Layde

  2. Oi Layde, que história mais triste, mas felizmente com um final feliz. Graças a Deus não aconteceu nada de grave com vocês. Um grande livramento!

    1. Oi Mariana! Obrigada! Realmente um grande sufoco que cheguei a pensar que seria meu último dia. Mas graças a Deus todos saímos bem. Fico muito feliz com sua visita aqui! 🙂
      Bjinhos
      Layde

  3. Oi Layde, que linda essa experiencia que vc teve.Deus realmente não nos abandona por nada, nós é que por vezes somos ingratos. Confesso que ao ler me derramei em lagrimas pelo o que vc passou e tambem em saber que em todos os momentos somos cuidados pelo Senhor.
    Gloria a Deus por isso!
    Ah, fiz uma arte sua hoje: o vidro decorado com barbante, ficou lindo, obrigada! Amei seu blog. Parabens e que Deus continue te abençoando.
    Beijos

    Debora

    1. É verdade Debora! Ele é sempre fiel conosco. Devemos ser sempre gratos por isso. Poxa, fico super feliz que vc tenha gostado do blog e mais feliz ainda que fez um projeto que ensinei por aqui. Que legal! Muito obrigada pelo carinho, viu! Um super beijo!

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